Contar aos filhos que os pais vão se separar é uma tarefa que exige a coragem e a força de um super herói que, para a criança, pode se tornar um vilão, devido à missão ingrata de dizer que "papai e mamãe não se amam mais como antes". Como explicar a uma criança que o amor de um casal terminou? Como não traumatizar um filho na separação dos pais?
Eu gortaria de ter conhecido essas respostas quando precisei olhar nos olhos da minha criança e contar-lhe: "Papai e mamãe vão se separar", e de saber dicas que pudessem amenizar a quebra do mundo encantado que se partiu em mil pedaços. Não sou capaz de dizer o que doeu mais: o fim do casamento ou o sofrimento incontido da filha do casamento ou o sofrimento incontido da filha do casamento que acabou.Sei que nenhum casal espera passar por isso, não é algo raro, sabemos. Por isso, compartilho com outras mães (e pais) o que percebi fazer uma diferença enorme na minha separação (sim, nós sobrevivemos!).
Estar seguro da decisão também é importante. Minha filha perguntou muitas vezes se voltáriamos a morar juntos. Se houvessem dúvidas, minha filha precisaria lidar com a dor da separação era definitiva. Não houve incerteza, o casamento havia acabado e precisaríamos todos seguir em frente.
Na família, nem todos entendiam ou concordavam com a decisão da separação. não sabiam muito bem oque responder quando minha filha perguntava: "Papai e mamãe vão ficar juntos de novo?!" Imagino torciam para isso acontecer e sofriam por ela. É comum o círculo familiar e social do casal separado sofrer também. O bom no meu caso foi que o carinho dos tios e avós e as brincadeiras com os primos ajudaram-na a entender que família não acaba quando um casal se separa.
Uma das primeiras atitudes foi conversar na escola, avisar sobre o problema que estava ocorrendo em casa e pedir ajuda para observar como minha filha ia reagir dali para a frente. Foi confortador saber que na escola havia pessoas dispostas a ajudá-la nessa fase difícil.
Outra coisa que aprendi foi que o casal nao deve confidenciar amarguras ao filho. EU ME RECUSEI A FALAR MAL DO PAI PARA ELA. DESABAFAR, SIM, MAS BEM LONGE DOS OUVIDOS DA CRIANÇA. AFINAL, O HOMEM QUE ME TRAZIA RESSENTIMENTOS ERA O PAI POR ELA AMADO. A criança ama o pai e se sente mal por ver a mãe sofrendo por causa dele. Isso já poderia deixar cicatrizes profundas no coração de um filho. Os pais esquecem que os filhos crescem e, um dia, farão o seu julgamento dessa separação, e sentirão mágoa e revolta quando compreenderem que foram usados como meio bélico nessa guerra. também fiquei atenta a um outro ponto: disse à minha filha que ela não tinha culpa alguma, sentimento comum entre crianças pequenas.
É claro que sempre ficamos tristes pela separação e será preciso um tempo para superar essa fase.Paciência, amor e diálogo são essenciais na educação dos filhos e quando os pais se separam, devemos reforçar esses valores. Uma última sugestão: inclua também a esperança. É que para entender que contos de fadas e a vida real são coisas diferentes, a criança(e nós, adultos)precisa ter a esperança e reinventar o "Felizes para sempre", transformando-o na "família para sempre". Mesmo morando em casas separadas.
RITA CALEGARI é psicóloga do Hospital São Camilo (SP) e há 15 anos ouve em seu consultório histórias de adultos e crianças. Acredita que momentos difíceis da vida em família também nos ajudam a ser alguém ainda melhor
FONTE CRESCER Agosto/2010
Compartilho com todos vocês essa maravilhosa reportagem da revista crescer porque na minha época não tinha uma psicóloga maravilhosa para me orientar desta forma.
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